11 fevereiro 2010

Deleite - prazer suave e demorado

Eram 4. Dois da cor do chocolate negro dois da cor de chocolate de leite. Cada um tinha um boné que não entrava na cabeça estrategicamente. Carapinhas oxigenadas. Piercings por todo lado. Altos. Magros. Corpos esguios, com pouca roupa para o dia frio que começava. Acabados de chegar à puberdade. Entraram a fazer um charro. Completamente tranquilos, na normalidade de quem vive assim todos os dias. Passaram duas raparigas no campo de visão dos 4. Os olhos fixaram-se nas formas. Primeiro na parte superior. Sorriso instantâneo no olhar. Depois com calma e sem pressas, fixaram-se na parte inferior. Já não eram só os olhos que riam. O olhar foi demorado, explicito, consciente. Não era desejo. Era deleite. Olhar de quem não tem vergonha de olhar. E no meio disto, do que está certo e do que está errado, sorri. Porque este olhar ninguém devia perder.

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